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Capítulo Sete - O Hospital

Pedro tentava abrir seus olhos, mas estavam muito pesados. O som ao seu redor parecia diminuir, tentou se mexer, suas tentativas eram inúteis. Seus membros estavam presos e alguns ele não conseguia sentir. A dor tomava conta da situação, estava com medo de que algo grave lhe acontecesse. O que estava acontecendo?
O mundo parara, não ouvia nem sentia nada, ficara aliviado, parecia que tudo aquilo era um sonho e a qualquer momento acordaria e estaria pronto para mais uma jornada de trabalho. O carro mexera, balançando um pouco, tentou abrir os olhos e tentar entender o que estava acontecendo ali com ele. Conseguiu ver alguns borrões, pareciam pessoas, era difícil distinguir. Algumas pareciam estar bem próximas, outras mais distantes. Todos estavam ao seu redor, curiosos para saber o que tinha acontecido.
- Afastem-se! – uma voz ecoou.
Estava acontecendo algo difícil, em meio à circunstância. O sangue corria sobre seu rosto, apesar de não o ver, notara que era. Parecia haver alguém, ou algo, tocando-o, achou aquilo estranho e dolorido. Pareciam tocá-lo com brasas vivas e aquilo queimava, tentava gritar, mas seu grito não saia. O que estava acontecendo?
- Você pode me ouvir? – mais uma vez a voz ecoou.
Sim, era sua resposta, não conseguia falar, não teria como responder àquela voz. O barulho foi aumentando, ouviu uma serra, tentavam serrar o carro para retirá-lo de dentro. Aos poucos o som foi diminuindo, sua cabeça ficou pesada, as tentativas de falar e abrir os olhos tornaram-se impossíveis. Seu corpo parecia mais pesado, simples gestos foram impossíveis de expressar.
Havia silêncio, sentiu uma paz, levemente abriu, em partes, os olhos, o local era branco, parecia haver uma luz sobre ele. Sentia-se leve e aliviado, nenhuma dor, parecia ter tornado-se mais forte, queria se levantar, mas não conseguiu, não compreendia. Aos poucos sua visão foi melhorando, a luz eram várias lâmpadas do corredor do hospital, tinha pessoas ao redor de sua maca, elas falavam entre si e observavam-no.
Um homem, provavelmente um médico, pegou uma seringa e, quando chegaram à sala de cirurgia, aplicou-a. Pedro ficou com os olhos pesados, foi fechando, apesar de ser contra sua vontade, queria saber o que estava acontecendo, queria sair dali, acordar daquele pesadelo e voltar para o mundo real.
O silêncio tomava conta daquele local, seu corpo ficara leve, abriu seus olhos, estava num quarto de hospital, os únicos sons ouvidos eram dos aparelhos ligados a ele. Olhou para o lado e consegui ver Marta conversando com um homem atrás do vidro. A expressão no rosto de Marta não era a melhor. O que estava acontecendo? Este homem notou que ele havia aberto os olhos e parou sua conversa para entrar e olhá-lo.
- Olá Pedro.
Marta vinha junta, seus olhos estavam cheios de lágrimas, tentou disfarçar. Aproximou-se do amigo, do lado esquerdo dele e o homem do direito, tocou em sua mão com um leve sorriso no rosto. Estava feliz por vê-lo com os olhos abertos. Pedro estava assustado, tentava compreender tudo que tinha acontecido. Tentando lembrar as últimas cenas, mas sua cabeça doía e não conseguia pensar.
- Meu amigo, que susto você nos deu. – falou sem conter as lágrimas.
- Calma Marta. Não vamos assustá-lo. – o homem disse rindo.
Precisava falar, tinha que saber o que estava acontecendo, lembrava de uma luz forte vinda em sua direção, uma forte pancada, mas não conseguia compreender. Sofrera um acidente? Qual a situação que encontrava-se? Lembrou de ver a luz verde do semáforo, estava tudo certo, o que deu de errado?
- O que está acontecendo? – disse com bastante dificuldade.
- Fique tranqüilo Pedro, não se esforce muito para falar, apenas relaxe. Aos poucos você vai compreendendo as coisas e entendendo tudo.
- Você sofreu um acidente. O motorista do caminhão, o qual atingiu-lhe, estava bêbado e dormiu no volante. A culpa não foi sua.
Fechou os olhos, a imagem do farol se aproximando, a pancada, não saíam de sua cabeça, novamente viu o sinal verde para ele passar. Marta parecia ter razão, o sinal era favorável para ele e não para o caminhão. Então sofrera mesmo um acidente. A noite tranquila tornou-se um pesadelo.
- O caminhoneiro está bem?
Cada palavra era dita com muita dificuldade. Sua voz estava fraca, um pouco rouca, seus olhos mantinha com dificuldades abertos. Apesar de sentir-se melhor, seu corpo estava mole devido aos sedativos para aliviar as dores. Aos ouvir a pergunta, Marta chorou mais. Não compreendia o motivo dele se preocupar, naquela hora, com o causador de tudo aquilo.
- Você ainda pensa nele?! Depois de fazer isso com você?! – repreendeu. – Ele está bem, fisicamente melhor que você, mas foi preso após fazer alguns exames para ter certeza de não haver danos físicos.
- Que bom.
- Já você, – agora falava o médico. – teve vários ferimentos. Alguns ossos quebrados e uma forte pancada na cabeça, os exames não mostram nada na sua cabeça, mas nós ficamos preocupados.
Pedro se lembrou da pancada, lembrava do sangue correndo pelo seu rosto. Tentou tocá-la, mas seu braço estava pesado. Olhou para os lados na busca de encontrar algum espelho, naquela sala não havia nenhum. Fechava os olhos para tentar esquecer toda aquela luz do dia do acidente.
- Há quanto tempo estou aqui?
- Há dois dias. Você passou dois dias dormindo. Isso também preocupou, não sabíamos se foi por causa dos sedativos ou por causa da pancada.
Olhou ao seu redor, sua vista não estava ótima, apesar de conseguia enxergar. Sua cabeça lampejava, parecia querer explodir, mais fechou os olhos, mas desta vez com a esperança da dor passar, voltou a abrir, mas a dor permanecera. Ficou se perguntando por que tanta coisa de ruim estava acontecendo em sua vida.
- Logo virá uma enfermeira para fazer alguns exames e perguntas. Isso tudo só para saber se está tudo ok.
- Meu amigo! Logo você sairá daqui, recuperado. Espero que, com isso, você possa descansar. Vejo esse descanso que você terá como o lado bom de todo esse acidente.

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