Após levarem o corpo de Susana para o IML, Pedro pegou seu carro e se dirigiu para o hospital. Precisava ver como Diego estava e tinha que comunicar a Pâmela do falecimento de sua filha. Indo o mais depressa que conseguia, chegou ao hospital e deixou o carro de qualquer jeito estacionado, desceu e as pessoas olharam-no espantados.
Sua roupa estava toda ensanguentada e isso assustou os que ali estavam. Havia grande movimentação e muita gente na recepção. Teve que esperar até conseguir falar com a recepcionista.
- Em qual quarto está Diego Albuquerque?
A recepcionista verificou no computador.
- Quarto 621.
Pedro saiu correndo, não fazia ideia de onde ficava o quarto. A recepcionista tentou orientá-lo, mas ele saiu com tanta pressa que não lhe deu tempo. Passou por alguns corredores, e percebeu que estava muito distante, finalmente havia chegado ao elevador, apertou para o 4º andar, onde, pelos seus cálculos, deveria estar o quarto 621.
Quando estava saindo, viu Pâmela sentada, cabisbaixa, chorando. Ficou observando-a, lentamente se aproximou para não assustá-la. Ao ficar ao seu lado, colocou a mão em seu ombro, quando ela o olhou, levantou-se com pressa e o abraçou.
- Como ele está?
- Eu não sei, ainda está em cirurgia e ninguém vem me informar…
- Cirurgia?! Mas a recepcionista me falou que ele estava no quarto!
- Eu já reservei um quarto, pensava que não tinha sido nada grave, mas ele foi direto para a sala de cirurgia e ainda não saiu.
Pâmela agarrava firmemente nos braços de Pedro, mal conseguia se pronunciar, cada palavra era dita em meio aos soluços. Quando olhou ao redor, percebeu a ausência de sua filha.
- Cadê Susana? Ela está bem?
Pedro não sabia o que dizer, abaixou a cabeça tentando fazê-la entender sem falar nenhuma palavra.
- Pedro! Cadê minha filha?! Ela está bem?!
Apesar da insistência, Pedro não conseguia abrir a boca. Pâmela, começando a entender o que estava acontecendo, começou a chorar mais desesperadamente.
- Pedro! Não, Pedro! Por favor, diga-me, onde está minha filha?!
- Eu sinto muito, ela está morta…
Pâmela encarou-o, então largou-se dele e deu-lhe um tapa no rosto.
- O que você fez? Isso é culpa sua!
Pedro começou a chorar, sentia-se culpado e ouvir tais palavras levou-o a acreditar ainda mais em sua culpa. Pâmela se sentou, colocou a mão no rosto, em prantos. Sem perceber, um médico se aproximou de ambos e, vendo o que se passava, esperou os dois se acalmarem para falar.
- Senhora, seu marido acabou de sair da sala de cirurgia…
- Como ele está?
- Está bem, mas há grandes chances dele ficar paralítico.
Pâmela mais uma vez se sentou, chorava alto, não conseguia entender o porquê de tal desgraça está acontecendo em sua vida. Pedro, vendo que ela não conseguiria falar mais nada, passou a conversar com o médico buscando mais informações.
- Onde ele está?
- Está no quarto, vocês já podem visitá-lo, mas ele está descansando.
- Pâmela, melhor você ir lá para ficar com ele.
Pâmela se levantou sem nem olhar para Pedro e saiu acompanhada do médico. Pedro olhou ao redor, a sala estava vazia e o corredor também, diferente do térreo que estava tomado de gente. Sentou-se e pegou o celular, ficou encarando, sério, a foto que havia com Susana, depois discou um número.
- Mãe, como vocês estão?
- Pedro! Que bom ouvir sua voz, quando você saiu correndo achei que tinha acontecido alguma coisa com você.
- Está tudo bem, mãe, e vocês?
- Estamos bem, meu filho, não se preocupe. Seu pai está no IML esperando a liberação do corpo de Susana. E o Diego? Como está?
- Acabou de sair da sala de cirurgia, tem grande chance de ficar paralítico.
- Oh, meu Deus! Fique aí, meu filho, não se preocupe com nada agora, deixe que eu e o seu pai vamos resolver tudo por aqui.
Após se despedirem, Pedro levantou-se e ficou andando pelo corredor. Não queria entrar de imediato no quarto, tinha medo da reação de Diego e Pâmela já estava muito chateada. Então, decidiu ir para casa, tomar um banho e logo cedo encontrar com eles.
Pedro não conseguiu dormir durante toda a noite. Ficava pensando em tudo o que estava acontecendo e no que poderia ter feito para ajudar sua esposa. Também procurava se preparar para o encontro com seus sogros. Não sabia o que dizer, não tinha argumentos para as acusações que eles poderiam fazer.
Chegando ao hospital, ficou parado em frente à porta do quarto 621. Não sabia se batia ou já ia abrindo. Quando finalmente conseguiu tocar a maçaneta, a porta se abriu e ele viu, do outro lado, Pâmela. Esta, quando o viu, ficou séria, ele era a última pessoa que ela gostaria de ver. Pedro tentou encará-la, mas era difícil.
- Como ele está?
- Está bem, graças a Deus.
- Posso vê-lo?
Pâmela olhou para trás para encarar seu marido. Diego, já acordado, respondeu afirmativamente para que sua esposa permitisse que Pedro entrasse. Pedro, timidamente, dirigiu-se para ao lado da cama, olhou-o de ponta a ponta, pelo menos, aparentemente, Diego estava bem.
- Como o senhor está?
- Bem.
- Senhor, eu… eu… eu sinto muito.
- Culpa sua minha filha está morta e eu estou nessa situação.
- Por favor, desculpe-me, nunca foi minha intenção…
- Por que vocês tinham que casar? Eu sempre disse a ela para não cometer tal estupidez. Casar com alguém como você.
Pedro não ficou muito tempo ali com Diego. Após verificar que estava tudo bem, retirou-se para resolver os últimos detalhes do velório de sua esposa. Diego ficara com raiva ao saber que não poderia participar. Ainda não podia se levantar e só sairia do hospital após algumas seções de fisioterapia.
Quando Pâmela chegou à igreja, viu-a cheia. Vários amigos e familiares ali se encontravam. Alguns, quando a viram, vieram abraçá-la. Pâmela estava muito forte e conseguia segurar suas emoções. Sentia grande pesar em perder sua única filha e seus parentes tentavam confortá-la, mas ela parecia bem.
Ao se aproximar do caixão com o corpo de sua filha, viu-a com um rosto angelical. Parecia tranquila, como se nada daquela tragédia tivesse lhe acontecido. Alisou seu rosto, como costumava fazer quando esta ainda era um bebê. Todos fitaram-na, esperavam que ela entrasse em desespero, mas, até ali, nenhuma lágrima foi vista em seu rosto.
Pedro foi o último a chegar. Estava com óculos escuros para esconder seus olhos vermelhos. Pâmela o olhou com repulsa. Sua mãe veio em sua direção e o abraçou. Após todos estarem devidamente sentados, a cerimônia fúnebre teve início. Após algumas palavras, o corpo foi levado para o cemitério e vários carros saíram acompanhando-o.
- Meu filho, deixe que eu lhe levo. Você não está em condições de fazê-lo.
Pedro, sem falar lada, aceitou e os dois foram até seu carro e dali para o cemitério. Muitos haviam acompanhado; alguns, não aguentando mais ver, voltaram para suas casas para tentar esquecer tudo o que havia acontecido. Quando Pedro chegou, de imediato desceu e ficou ao lado do caixão.
Todos carregam uma flor e, ao descer do caixão, jogavam-na. Ao estar quase totalmente dentro do buraco, começou a chover. Quando as primeiras terras começaram a cobrir o caixão, Pâmela não mais conseguiu resistir, e começou a chorar, Pedro já havia chorado muito que não conseguia mais fazer. Ficou ali, sério, vendo tudo acontecer.
Após está todo coberto, algumas pessoas se abraçaram e se despediram uns dos outros. Alguns foram falar com Pedro e Pâmela, até que só restou Pedro. Seus pais ficaram no carro lhe esperando. Ele olhava para onde estava o corpo de sua esposa, sem pronunciar uma palavra. Após alguns minutos, foi para onde estava seus pais.
- Quero ir para casa e ficar só, amanhã eu ligo para vocês.
Seus pais, entendendo o que acontecia, respeitaram sua decisão e foram embora. Pedro entrou em seu carro e, lentamente, voltou para casa. Ao olhar ao redor, lembrava-se dos momentos que passara com Susane, momentos felizes que transformaram sua vida, mas também se lembrava dos erros que havia cometido.
Sua roupa estava toda ensanguentada e isso assustou os que ali estavam. Havia grande movimentação e muita gente na recepção. Teve que esperar até conseguir falar com a recepcionista.
- Em qual quarto está Diego Albuquerque?
A recepcionista verificou no computador.
- Quarto 621.
Pedro saiu correndo, não fazia ideia de onde ficava o quarto. A recepcionista tentou orientá-lo, mas ele saiu com tanta pressa que não lhe deu tempo. Passou por alguns corredores, e percebeu que estava muito distante, finalmente havia chegado ao elevador, apertou para o 4º andar, onde, pelos seus cálculos, deveria estar o quarto 621.
Quando estava saindo, viu Pâmela sentada, cabisbaixa, chorando. Ficou observando-a, lentamente se aproximou para não assustá-la. Ao ficar ao seu lado, colocou a mão em seu ombro, quando ela o olhou, levantou-se com pressa e o abraçou.
- Como ele está?
- Eu não sei, ainda está em cirurgia e ninguém vem me informar…
- Cirurgia?! Mas a recepcionista me falou que ele estava no quarto!
- Eu já reservei um quarto, pensava que não tinha sido nada grave, mas ele foi direto para a sala de cirurgia e ainda não saiu.
Pâmela agarrava firmemente nos braços de Pedro, mal conseguia se pronunciar, cada palavra era dita em meio aos soluços. Quando olhou ao redor, percebeu a ausência de sua filha.
- Cadê Susana? Ela está bem?
Pedro não sabia o que dizer, abaixou a cabeça tentando fazê-la entender sem falar nenhuma palavra.
- Pedro! Cadê minha filha?! Ela está bem?!
Apesar da insistência, Pedro não conseguia abrir a boca. Pâmela, começando a entender o que estava acontecendo, começou a chorar mais desesperadamente.
- Pedro! Não, Pedro! Por favor, diga-me, onde está minha filha?!
- Eu sinto muito, ela está morta…
Pâmela encarou-o, então largou-se dele e deu-lhe um tapa no rosto.
- O que você fez? Isso é culpa sua!
Pedro começou a chorar, sentia-se culpado e ouvir tais palavras levou-o a acreditar ainda mais em sua culpa. Pâmela se sentou, colocou a mão no rosto, em prantos. Sem perceber, um médico se aproximou de ambos e, vendo o que se passava, esperou os dois se acalmarem para falar.
- Senhora, seu marido acabou de sair da sala de cirurgia…
- Como ele está?
- Está bem, mas há grandes chances dele ficar paralítico.
Pâmela mais uma vez se sentou, chorava alto, não conseguia entender o porquê de tal desgraça está acontecendo em sua vida. Pedro, vendo que ela não conseguiria falar mais nada, passou a conversar com o médico buscando mais informações.
- Onde ele está?
- Está no quarto, vocês já podem visitá-lo, mas ele está descansando.
- Pâmela, melhor você ir lá para ficar com ele.
Pâmela se levantou sem nem olhar para Pedro e saiu acompanhada do médico. Pedro olhou ao redor, a sala estava vazia e o corredor também, diferente do térreo que estava tomado de gente. Sentou-se e pegou o celular, ficou encarando, sério, a foto que havia com Susana, depois discou um número.
- Mãe, como vocês estão?
- Pedro! Que bom ouvir sua voz, quando você saiu correndo achei que tinha acontecido alguma coisa com você.
- Está tudo bem, mãe, e vocês?
- Estamos bem, meu filho, não se preocupe. Seu pai está no IML esperando a liberação do corpo de Susana. E o Diego? Como está?
- Acabou de sair da sala de cirurgia, tem grande chance de ficar paralítico.
- Oh, meu Deus! Fique aí, meu filho, não se preocupe com nada agora, deixe que eu e o seu pai vamos resolver tudo por aqui.
Após se despedirem, Pedro levantou-se e ficou andando pelo corredor. Não queria entrar de imediato no quarto, tinha medo da reação de Diego e Pâmela já estava muito chateada. Então, decidiu ir para casa, tomar um banho e logo cedo encontrar com eles.
Pedro não conseguiu dormir durante toda a noite. Ficava pensando em tudo o que estava acontecendo e no que poderia ter feito para ajudar sua esposa. Também procurava se preparar para o encontro com seus sogros. Não sabia o que dizer, não tinha argumentos para as acusações que eles poderiam fazer.
Chegando ao hospital, ficou parado em frente à porta do quarto 621. Não sabia se batia ou já ia abrindo. Quando finalmente conseguiu tocar a maçaneta, a porta se abriu e ele viu, do outro lado, Pâmela. Esta, quando o viu, ficou séria, ele era a última pessoa que ela gostaria de ver. Pedro tentou encará-la, mas era difícil.
- Como ele está?
- Está bem, graças a Deus.
- Posso vê-lo?
Pâmela olhou para trás para encarar seu marido. Diego, já acordado, respondeu afirmativamente para que sua esposa permitisse que Pedro entrasse. Pedro, timidamente, dirigiu-se para ao lado da cama, olhou-o de ponta a ponta, pelo menos, aparentemente, Diego estava bem.
- Como o senhor está?
- Bem.
- Senhor, eu… eu… eu sinto muito.
- Culpa sua minha filha está morta e eu estou nessa situação.
- Por favor, desculpe-me, nunca foi minha intenção…
- Por que vocês tinham que casar? Eu sempre disse a ela para não cometer tal estupidez. Casar com alguém como você.
Pedro não ficou muito tempo ali com Diego. Após verificar que estava tudo bem, retirou-se para resolver os últimos detalhes do velório de sua esposa. Diego ficara com raiva ao saber que não poderia participar. Ainda não podia se levantar e só sairia do hospital após algumas seções de fisioterapia.
Quando Pâmela chegou à igreja, viu-a cheia. Vários amigos e familiares ali se encontravam. Alguns, quando a viram, vieram abraçá-la. Pâmela estava muito forte e conseguia segurar suas emoções. Sentia grande pesar em perder sua única filha e seus parentes tentavam confortá-la, mas ela parecia bem.
Ao se aproximar do caixão com o corpo de sua filha, viu-a com um rosto angelical. Parecia tranquila, como se nada daquela tragédia tivesse lhe acontecido. Alisou seu rosto, como costumava fazer quando esta ainda era um bebê. Todos fitaram-na, esperavam que ela entrasse em desespero, mas, até ali, nenhuma lágrima foi vista em seu rosto.
Pedro foi o último a chegar. Estava com óculos escuros para esconder seus olhos vermelhos. Pâmela o olhou com repulsa. Sua mãe veio em sua direção e o abraçou. Após todos estarem devidamente sentados, a cerimônia fúnebre teve início. Após algumas palavras, o corpo foi levado para o cemitério e vários carros saíram acompanhando-o.
- Meu filho, deixe que eu lhe levo. Você não está em condições de fazê-lo.
Pedro, sem falar lada, aceitou e os dois foram até seu carro e dali para o cemitério. Muitos haviam acompanhado; alguns, não aguentando mais ver, voltaram para suas casas para tentar esquecer tudo o que havia acontecido. Quando Pedro chegou, de imediato desceu e ficou ao lado do caixão.
Todos carregam uma flor e, ao descer do caixão, jogavam-na. Ao estar quase totalmente dentro do buraco, começou a chover. Quando as primeiras terras começaram a cobrir o caixão, Pâmela não mais conseguiu resistir, e começou a chorar, Pedro já havia chorado muito que não conseguia mais fazer. Ficou ali, sério, vendo tudo acontecer.
Após está todo coberto, algumas pessoas se abraçaram e se despediram uns dos outros. Alguns foram falar com Pedro e Pâmela, até que só restou Pedro. Seus pais ficaram no carro lhe esperando. Ele olhava para onde estava o corpo de sua esposa, sem pronunciar uma palavra. Após alguns minutos, foi para onde estava seus pais.
- Quero ir para casa e ficar só, amanhã eu ligo para vocês.
Seus pais, entendendo o que acontecia, respeitaram sua decisão e foram embora. Pedro entrou em seu carro e, lentamente, voltou para casa. Ao olhar ao redor, lembrava-se dos momentos que passara com Susane, momentos felizes que transformaram sua vida, mas também se lembrava dos erros que havia cometido.
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